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25 de março de 2026

Buerarema: ICMBIO APRESENTA À CÂMARA O ALCANCE DA ZONA DE AMORTECIMENTO DO PARQUE SERRA DAS LONTRAS E VEREADORES COBRAM AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ZONA RURAL



Cerca de cinco mil hectares do território rural do município de Beurarema estão inseridos na zona de amortecimento do Parque Nacional da Serra das Lontras desde a criação da unidade, por decreto federal, em 2010.


A informação foi apresentada na sessão ordinária desta terça-feira, 24 de março, pelo analista ambiental Gustavo Menezes, chefe do ICMBio Ilhéus, órgão federal responsável pela gestão do parque. A Câmara Municipal convocou a apresentação após registrar preocupação crescente entre agricultores e moradores da zona rural quanto aos possíveis efeitos do instrumento sobre suas propriedades e atividades produtivas.


O Parque Nacional da Serra das Lontras tem 11.336 hectares e está localizado nos municípios de Arataca, Una e São José da Vitória. A zona de amortecimento — faixa de 47 mil hectares ao redor do parque, destinada a reduzir pressões sobre a área protegida — abrange também partes de Jussari e Buerarema. Segundo Menezes, essa zona não é uma unidade de conservação e não implica desapropriação de terras. Os processos de licenciamento ambiental continuam sendo conduzidos pelo município e pelo estado, com exceção de empreendimentos de significativo impacto ambiental, que passam a exigir também autorização do ICMBio.


A explicação, porém, não dissipou inteiramente as apreensões dos presentes. Vereadores e representantes do setor rural alertaram que qualquer nova regulação de uso do solo em uma região de pequenos produtores — muitos com propriedades de cinco a dez hectares, trabalhadas há décadas pelas mesmas famílias — exige escuta qualificada antes da implementação de regras. 


O representante do ICMBio reconheceu o atraso na elaboração do plano de manejo — documento que definirá as regras específicas para a zona de amortecimento e que deveria ter sido publicado até 2015, cinco anos após a criação do parque. Ele atribuiu o atraso à limitação de recursos e de servidores do órgão em escala nacional, e informou que o documento está em fase de revisão após oficina realizada em outubro de 2025, com participação de representantes de Buerarema. A previsão é que seja publicado ainda em 2026. Uma versão preliminar foi disponibilizada aos vereadores para leitura interna, com restrição de divulgação enquanto o texto não estiver finalizado.


Ao final da sessão, a Câmara encaminhou duas medidas concretas: a Comissão de Agricultura se reunirá na quinta-feira, 26 de março, para organizar uma audiência pública com o ICMBio voltada especificamente à zona rural de Buerarema — com participação de associações de produtores, sindicatos rural e patronal e demais entidades locais. A vereadora Sayonara Ávila sugeriu que o evento seja realizado na sede do município, por razões de logística e acesso, em vez da comunidade de Dona Esté, como havia sido aventado inicialmente. A decisão será tomada na reunião de comissões.


O Legislativo não detém atribuição para revogar o decreto federal que criou o parque ou sua zona de amortecimento. O papel da Câmara, neste caso, é o de interlocução: garantir que a população seja informada com precisão, que suas preocupações cheguem formalmente ao órgão federal e que eventuais regras do plano de manejo sejam discutidas antes de entrarem em vigor — não depois.