BUERAREMA – Uma audiência pública realizada nesta quinta-feira (28) na Câmara Municipal de Buerarema terminou em forte impasse e sem consenso sobre o futuro da Zona de Amortecimento do Parque Nacional da Serra das Lontras. O encontro, promovido pela Comissão de Agricultura do Legislativo, tinha como objetivo debater a aprovação do Plano de Manejo especificamente para a área de amortecimento que abrange o município. No entanto, as explicações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não convenceram os presentes, resultando na não validação do documento pela plenária.
O Parque Nacional da Serra das Lontras possui uma área central de preservação de mais de 11.300 hectares, distribuída entre Arataca e Una. A grande controvérsia e foco do debate em Buerarema gira em torno da Zona de Amortecimento — a área de entorno onde as atividades humanas e agrícolas sofrem restrições para proteger a unidade.
Essa zona projetada é imensa, somando 47.000 hectares no total, dos quais aproximadamente 5.000 hectares estão localizados estrategicamente dentro do município de Buerarema.
Iniciativa do Legislativo e Resistência Local
A audiência pública foi uma iniciativa da Comissão de Agricultura da Câmara de Vereadores de Buerarema, que convidou formalmente os representantes do ICMBio para prestar esclarecimentos detalhados à comunidade. O objetivo era dar transparência ao processo e permitir que os produtores rurais locais avaliassem de perto como as novas regras impactariam suas terras, suas produções e a economia do município.
Durante a apresentação, o clima foi de intensa resistência. As propostas apresentadas pelo órgão federal enfrentaram forte oposição dos produtores rurais e de diversas entidades civis presentes, que manifestaram profunda preocupação com possíveis restrições ao trabalho no campo e criticaram a falta de um diálogo prévio mais amplo com quem de fato trabalha na região.
Ao final dos debates, o resultado na Câmara Municipal foi claro e unânime: a plenária, formada por trabalhadores do campo, lideranças locais e representantes de várias instituições, decidiu não validar o plano de manejo proposto pelo ICMBio.
O QUE ACONTECE AGORA?
Com a rejeição da plenária em Buerarema, o plano de manejo da Zona de Amortecimento segue sem o aval social da comunidade diretamente afetada. As lideranças locais e produtores defendem que o ICMBio precisa paralisar o processo de aprovação, revisar os pontos críticos do documento e abrir canais efetivos de negociação. A exigência é que se construa uma proposta equilibrada, que garanta a preservação ambiental sem sufocar a economia e o sustento das famílias que dependem da produção agrícola em Buerarema.



































