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6 de abril de 2026

CAMINHONETE DOS BOMBEIROS É FLAGRADA EM OBRA DE IMÓVEL LIGADO A EX-COMANDANTE

 

Uma caminhonete que deveria ser usada para fins da corporação foi vista em uma obra — e, segundo vizinhos, teria sido utilizada em um endereço particular. Em Vilas do Atlântico, na Região Metropolitana de Salvador, uma picape do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBM-BA) foi flagrada em uma reforma na casa de praia do ex-comandante da corporação, o coronel Adson Marchesini.


A propriedade está localizada na Rua do Sossego, lotes 19 e 20, na 3ª Etapa de Vilas do Atlântico, e a escritura está em nome de Adla Angelini Almeida, apontada como irmã de consideração do ex-comandante. Porém, o imóvel pertence ao ex-chefe do Corpo de Bombeiros, segundo informação confirmada por ele. Vizinhos relatam que o investimento foi alto. “Ele vinha acompanhar a obra. Quase demoliu a casa inteira”, diz uma moradora que pediu anonimato.


No dia 25 de março, Marchesini anunciou sua pré-candidatura a deputado federal nas eleições de outubro. Ele foi exonerado do cargo em abril do ano passado, quando recebia salário de R$ 71 mil.


Flagrante

O imóvel passou por uma ampla reforma, iniciada há mais de um ano e finalizada há cerca de quatro meses. Durante o início da construção, uma picape L200 Triton, placa RDQ 3A89, ano 2022, teria sido usada como carreto, ou seja, para transportar materiais de construção. Em uma foto obtida com exclusividade pelo CORREIO, um homem aparece retirando blocos de cimento do veículo, registrado em nome do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. Em outro flagrante, um trabalhador surge na carroceria da picape. Na ocasião, Marchesini ainda estava à frente do CBM-BA.

Na mesma época, um Toyota Corolla preto, placa SKD 9C73, ano 2024, foi fotografado em frente à casa durante a reforma. O veículo pertence a uma empresa que presta serviço à Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), responsável por alugar carros para comandantes e coronéis.


Situações como essa, se comprovadas, podem ser enquadradas como improbidade administrativa — ato ilícito praticado por agentes públicos ou particulares que causa prejuízo ao erário, gera enriquecimento ilícito ou viola princípios da Administração Pública —, conforme previsto nas Leis nº 8.429/1992 e nº 14.230/2021. Usar o cargo para beneficiar amigos ou familiares, receber vantagem indevida, fraudar licitação e utilizar veículo oficial para fins pessoais são alguns exemplos.

Os denunciantes relatam ainda a presença de militares na execução da obra. “Alguns chegaram aqui fardados e, dias depois, estavam trabalhando. E a gente, que é peão, reconhece o outro — e eles não tinham jeito de quem é da obra”, afirma um prestador de serviço.

Mulheres, bebidas e barulho

Inicialmente, a vizinhança acreditava que o imóvel seria mais um a contribuir para a tranquilidade da região. Mas a expectativa não se confirmou. “Todo mundo achava que ele ia morar aí, porque praticamente demoliu a casa inteira. Em novembro, chegou a colocar placa de ‘aluga-se’ para temporada e aniversários — inclusive houve festa infantil. Depois começou isso aí, neste mês”, relata uma vizinha.

Segundo moradores, o imóvel passou a sediar festas de terça a domingo, iniciadas à noite e que se estendem pela madrugada. “É um entra e sai de pessoas e carros diferentes. Com presença frequente de mulheres jovens e grande circulação de visitantes, além do som nas alturas. Ninguém dorme. Na outra semana, durante o dia, a casa estava cheia, com pessoas bebendo, fumando e tomando sol na piscina”, conta uma moradora.

Em um perfil no Instagram, criado em janeiro deste ano, a casa é anunciada com cinco quartos, cozinha, piscina ampla, churrasqueira, área gourmet e garagem, disponível para locação no Carnaval. “Mas acho que isso é só para não chamar atenção. Outro dia, um homem mais velho, bem vestido, em um carro de luxo, perguntou a um caseiro daqui onde ficava o que ele chamou de ‘novo prostíbulo de Vilas’. Ele ficou sem reação”, revela outra vizinha.
(Correio)