Apesar dos muitos mistérios que cercam a vida de Cleópatra, uma certeza permanece: ela estava à frente de seu tempo. A rainha do Egito já utilizava batom vermelho e banhos de leite de jumenta séculos antes da era cristã. Hoje, esse mesmo produto ganha destaque como alternativa nutricional e econômica, especialmente no semiárido nordestino. As informações são do Correio 24h.
Conhecido como “ouro branco”, o leite de jumenta é altamente nutritivo, tem baixo teor de gordura e composição semelhante ao leite humano, sendo mais próximo dele do que o leite de vaca. Seu uso medicinal remonta à Grécia Antiga, quando Hipócrates já o recomendava a pacientes. Na Europa, o consumo é comum e pode custar até 50 euros o litro.
No Brasil, ainda não há comércio formal, mas esse cenário pode mudar em 2026. Pesquisadores da Universidade do Agreste de Pernambuco (Ufape) desenvolvem estudos para viabilizar o uso seguro do leite de jumenta em UTIs neonatais, especialmente para crianças com alergia à proteína do leite de vaca. Segundo os cientistas, entre 82% e 98% dessas crianças toleram bem o produto.
Além da aplicação médica, o leite é rico em vitaminas e minerais e já é usado na fabricação de cosméticos na Europa e na Ásia. O interesse crescente impulsiona a valorização da asinocultura, que pode gerar renda, preservar a espécie — ameaçada pelo abate — e fortalecer a economia rural do semiárido.
Especialistas apontam que o clima da caatinga e a rusticidade do jumento tornam a região altamente favorável à produção. O Brasil, assim, pode abrir uma nova fronteira na alimentação funcional, na saúde pública e na sustentabilidade, ressignificando um animal historicamente essencial para o Nordeste. (Ubatã Notícias)

